8 de novembro de 2026
Correio da Tarde

Alenquer volta a celebrar a alma do vinho: quatro dias entre tradição, gastronomia e música portuguesa

Alenquer volta a transformar-se, a partir desta quinta-feira, numa das grandes capitais portuguesas do vinho. Entre 17 e 20 de setembro, o Parque Urbano da Romeira recebe a oitava edição da Alma do Vinho , quatro dias dedicados à tradição vitivinícola, gastronomia, música e cultura de uma região onde a vinha continua a fazer parte da identidade do território.

Alenquer volta a celebrar a alma do vinho: quatro dias entre tradição, gastronomia e música portuguesa

Alenquer volta a transformar-se, a partir desta quinta-feira, numa das grandes capitais portuguesas do vinho. Entre 17 e 20 de setembro, o Parque Urbano da Romeira recebe a oitava edição da Alma do Vinho, quatro dias dedicados à tradição vitivinícola, gastronomia, música e cultura de uma região onde a vinha continua a fazer parte da identidade do território.

O festival reúne este ano mais de 35 produtores e cerca de 300 vinhos, muitos deles premiados, num recinto com quase 20 mil metros quadrados. Provas comentadas, cozinha de fogo, experiências sensoriais, gastronomia regional, artesanato e programas de enoturismo fazem parte de uma programação que pretende aproximar o público não apenas do vinho, mas também das pessoas e tradições que existem à sua volta.

Do fado de Sara Correia a Miguel Araújo

A música portuguesa terá também um papel central.

A fadista Sara Correia sobe ao palco principal na noite de abertura, quinta-feira, 17 de setembro. Na sexta-feira será a vez dos Vizinhos, seguindo-se Miguel Araújo, no sábado, e Carolina de Deus, no domingo.

É uma programação que permite ao festival ultrapassar o universo exclusivamente vínico e assumir-se como um verdadeiro encontro cultural de final de verão.

Mas a Alma do Vinho procura também manter uma forte ligação às raízes rurais de Alenquer.

No domingo haverá pisa da uva, corridas de barricas e uma recriação etnográfica da Adiafa, tradição associada ao final dos trabalhos agrícolas e das vindimas.

Para muitos portugueses que vivem hoje longe das regiões vitivinícolas — e particularmente para aqueles que residem no estrangeiro — são tradições que fazem parte de uma imagem de Portugal que continua profundamente ligada à terra, às vindimas e à vida das aldeias.

Muito mais do que provar vinho

Uma das particularidades do festival é precisamente permitir descobrir o território para além do recinto.

Existe um programa enoturístico com partida de Lisboa e de Alenquer que inclui visita a uma quinta vitivinícola, prova de vinhos, experiência de vindima e pisa da uva, almoço regional e passagem pelo Museu do Vinho de Alenquer.

Há ainda experiências destinadas a diferentes níveis de conhecimento, desde provas premium até um curioso “Curso de Vinhos para Totós”, pensado para quem quer começar a compreender melhor o universo do vinho sem precisar de ser especialista.

O objetivo é transformar aquilo que tradicionalmente seria uma feira de produtores numa experiência turística completa.

52 nacionalidades passaram por Alenquer

E essa estratégia parece estar a funcionar.

Na edição de 2025, a Alma do Vinho recebeu mais de 35 mil visitantes durante os quatro dias.

Mais surpreendente ainda é a origem do público: estiveram representadas 52 nacionalidades, com visitantes provenientes de países tão diferentes como Austrália, Quénia, Estados Unidos, Reino Unido, Países Baixos ou Malásia.

É um dado particularmente importante para uma região que vive à sombra turística de Lisboa.

Alenquer fica a cerca de 50 quilómetros da capital e pode ser alcançada de automóvel em aproximadamente meia hora. A proximidade permite captar turistas que visitam Lisboa e apresentar-lhes um Portugal muito diferente daquele que encontram na Baixa, em Belém ou nas praias de Cascais.

Aqui, o produto turístico é a vinha, a gastronomia, a paisagem e a cultura rural.

Uma montra para os vinhos portugueses

Portugal é um país pequeno em dimensão, mas extraordinariamente diverso quando se fala de vinho.

Douro, Dão, Alentejo, Vinhos Verdes ou Madeira têm uma notoriedade internacional evidente. A região de Lisboa procura também afirmar a sua própria identidade, e Alenquer tem uma longa tradição vitivinícola.

Eventos como a Alma do Vinho permitem aos pequenos e médios produtores apresentar diretamente os seus vinhos a milhares de consumidores, mas também a visitantes estrangeiros que podem posteriormente procurar essas referências nos seus países.

É aí que uma festa local ganha outra dimensão.

Quando um visitante vindo dos Estados Unidos, dos Países Baixos ou da Austrália descobre um vinho de Alenquer e leva essa memória consigo, o festival deixa de promover apenas um concelho.

Promove Portugal.

Durante quatro dias, entre copos, música, gastronomia e vindimas, Alenquer volta a mostrar que uma das melhores formas de conhecer um país continua a ser descobrir aquilo que nasce da sua terra.