8 de novembro de 2026
Correio da Tarde

Aviões brasileiros, parceria portuguesa: o que está em causa na venda de três KC-390 à Grécia

A venda de três KC-390 à Grécia, anunciada pelo Governo, projeta Portugal como parceiro industrial e operacional na defesa.

Portugal anuncia venda de três KC-390 à Grécia

O avião é brasileiro, mas Portugal tem um papel central no negócio. O acordo assinado com a Grécia para o fornecimento de três KC-390 Millennium junta as aeronaves da Embraer à experiência operacional e à formação asseguradas pelo lado português. Para Lisboa, a oportunidade passa por transformar a participação no programa numa fonte de receitas e de trabalho para a indústria nacional.

O KC-390 é um avião militar de transporte desenvolvido pelo fabricante brasileiro Embraer. Pode transportar tropas, carga e feridos, participar em missões humanitárias e realizar reabastecimento em voo. Portugal utiliza o aparelho na sua Força Aérea e participa no seu desenvolvimento e produção, incluindo na adaptação aos requisitos da NATO.

É essa combinação de participação industrial e experiência de utilização que ajuda a explicar o acordo entre Lisboa e Atenas. A Grécia adquire os aviões através de um contrato entre governos, com Portugal a acompanhar a produção, a aceitação e a entrega das aeronaves. O compromisso português abrange também o apoio logístico e a preparação da entrada ao serviço.

Uma parte desse trabalho terá lugar em Beja, onde será realizada a formação inicial das tripulações e dos mecânicos gregos. O negócio dá assim uma dimensão internacional à capacidade de treino que Portugal desenvolveu para operar a sua própria frota.

O contrato tem um valor global de cerca de 590 milhões de euros, incluindo aeronaves, equipamentos e serviços associados. As entregas estão previstas para 2027, 2029 e 2031. Segundo o Governo, a operação assegura um retorno industrial de 33 milhões de euros para Portugal.

O alcance da parceria vai, por isso, além da entrega de três aviões. Para Portugal, aponta para um caminho de especialização: associar a indústria à formação, à manutenção e ao acompanhamento de frotas de países aliados.

O futuro dessa ambição dependerá da capacidade de conquistar novos contratos e dar continuidade ao trabalho agora anunciado.