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A tragédia provocada pelo sismo na Venezuela continua a atingir duramente a comunidade portuguesa e lusodescendente. O balanço mais recente aponta para 53 portugueses e lusodescendentes mortos, enquanto prosseguem as buscas por sobreviventes nas zonas mais afetadas.
A dimensão humana da tragédia é particularmente forte para Portugal, devido à presença histórica de milhares de emigrantes portugueses na Venezuela, muitos deles com raízes na Madeira e no norte do país. Para várias famílias, a espera por notícias tornou-se uma angústia diária.
Apesar do aumento do número de vítimas, a comunidade mantém esperança de encontrar sobreviventes. As operações de resgate continuam no terreno, envolvendo equipas locais e apoio internacional, num esforço difícil à medida que passam as horas.
A catástrofe voltou a recordar a ligação profunda entre Portugal e a sua diáspora. Quando uma comunidade portuguesa é atingida no estrangeiro, o impacto ultrapassa fronteiras: chega às famílias em Portugal, às associações de emigrantes, às comunidades madeirenses e a todos os que mantêm laços com o país.
Neste momento, a prioridade é garantir apoio às vítimas, assistência às famílias e informação clara para quem procura familiares desaparecidos. Mas, passada a urgência, ficará também a necessidade de acompanhar os sobreviventes, muitos dos quais poderão ter perdido casa, trabalho e referências de uma vida inteira.
A Venezuela vive uma tragédia nacional. Para Portugal, é também uma tragédia familiar.
Miguel Gonçalves de Amorim